Pacientes Internados
Os pacientes adultos serão submetidos à rizotomiaDorsal seletiva (SDR) no Barnes-Jewish Hospital. Passarão, aproximadamente, 24 horas na unidade de cuidado intensivo da Neurologia/Neurocirurgia. No dia seguinte ao da cirurgia, o paciente será transferido para a sala de observação. O paciente terá um catéter urinário colocado na bexiga, nos 4 dias seguintes ao da cirurgia, além de um soro endovenoso num dos braços. Ele será capaz de mover as pernas ao acordar da anestesia, mas, possivelmente, não tão bem quanto antes da operação. As pernas podem parecer pesadas e fracas, porém, menos rígidas.
Enquanto estiver na unidade de cuidado intensivo da Neurologia/Neurocirurgia, o paciente será medicado com morfina ou fentanyl para sedação e alívio da dor. O Valium será dado para o espasmo dos músculos. Os pacientes vão permanecer com sono na maioria do tempo, durante os primeiros dois dias.
O paciente começará a se sentir mais acordado a partir do segundo ou do terceiro dia, quando iniciará uma alimentação líquida, via oral. O paciente será colocado numa posição de costas ou deitado de lado, mudando a postura de um lado para o outro a cada 4-6 horas.
A face pode parecer inchada devido à posição colocada durante a cirurgia, mas o inchaço desaparecerá em 24 ou 48 horas. Enquanto estiver na unidade de Neurologia/Neurocirurgia, o paciente permanecerá relativamente sem dor enquanto tiver a infusão contínua de sulfato de morfina ou fentanyl nas veias. Geralmente, no terceiro dia depois da cirurgia, a dosagem de morfina/fentanyl será reduzida e finalmente, interrompida. Neste ponto, se precisar, o paciente receberá Tilenol com codeína.
Ocasionalmente, o paciente terá dor de cabeça por vários dias depois da cirurgia. Isto pode ser controlado com uma dose adequada de Tilenol. Alguns pacientes experimentam um espasmo flexor que, geralmente, ocorre à noite ou enquanto descansam depois de um período de atividade. Estes espasmos são temporários e podem ser minimizados com uma pequena dose de Valium.
O paciente deverá permanecer em repouso, de cama, até o quarto dia do pós-operatório. Livros, televisão, fitas de músicas, livros gravados em fitas, e um gravador podem ajudar a passar o tempo.
Cuidados a Tomar com as Costas depois da Cirurgia. No sexto dia da cirurgia, a enfermeira removerá os curativos das costas e inspecionará a incisão. Não há suturas na pele para serem removidas. Os pacientes serão permitidos a terem atividades que consigam tolerar. A restrição principal está relacionada com o movimento do tronco. Nenhuma hiperextensão passiva ou rotação do tronco são permitidas. Os pacientes poderão sentar-se desde que tolerem. Entretanto, aconselha-se a mudança de posição com frequência se ficarem sentados por um período muito longo.
Fisioterapia Durante o Internamento. O paciente vai ficar restringido ao repouso na cama, até o quarto dia depois da cirurgia. No terceiro dia do pós-operatório, o paciente receberá fisioterapia por duas vezes, na cama, e será permitido sentar-se nela. No quarto dia, os pacientes são transferidos para uma cadeira de rodas, com ajuda, por um máximo de uma hora; os suportes para manter o tronco reto, é essencial. Muitos movimentos, incluindo um esticar suave, rolar e atividades no chão sobre esteira ou tapete, serão iniciados no terceiro dia do pós-operatório. As restrições incluem o estiramento vigoroso do tendão da perna e os movimentos passivos do tronco em amplitudes extremas. Não há nenhuma restrição para os movimentos próprios do paciente. Ao receber a alta, o paciente recebe um relatório médico, uma prescrição para a fisioterapia e um protocolo pós-operatório para serem entregues ao seu fisioterapeuta particular.
Em Casa
O que segue abaixo dará uma idéia do que se pode esperar durante a recuperação do paciente em casa.
Fadiga: Nas primeiras semanas, o paciente se sentirá cansado com facilidade. Tudo o que vai precisar são 5 a 10 minutos de descanso, deitado de lado ou de costas. A fraqueza dos músculos que estava camuflada pela espasticidade passa a se mostrar pela rizotomia e o desenvolvimento da força vai levar tempo. Além disso, o repouso na cama e a atividade limitada iniciais por vários dias, vão exigir um certo tempo até que a força e a atividade normais voltem. Por estas razões, o paciente não deve voltar à escola ou ao trabalho, por 3 a 4 semanas depois da cirurgia.
Dor: É de se esperar que o paciente reclame de desconforto na parte inferior das costas por umas duas semanas, principalmente ao mudar de posição. Isto pode ser aliviado movendo-se devagar e evitando não só uma rotação excessiva do tronco como também uma flexão para o lado e para a frente.
O fisioterapeuta do hospital demonstrará o modo correto de se mover e da transição entre as posições. O paciente pode reclamar de dor, também, se os pés ficarem balançando quando estiver sentado. Deve-se manter os pés apoiados em algum suporte e não deixá-los suspensos.
Atividades: Muitos pacientes voltam a se sentar rapidamente. Entretanto, podem levar várias semanas antes que o andar independente seja possível, devido à fraqueza muscular e um pobre controle dos músculos. O paciente voltará às atividades comuns de antes da cirurgia, mas pode ficar facilmente cansado e precisar de ajuda para mudar de posição. Consulte o seu fisioterapeuta particular se o paciente quiser começar com certas atividades, antes delas terem sido introduzidas como parte do programa de fisioterapia.
Sono: Alguns pacientes apresentam um padrão de sono interrompido. É comum acordar durante a noite. Este problema se resolve assim que o paciente passar a se movimentar melhor na cama.
Uso do banheiro: Alguns pacientes mudam o seu hábito de controle de suas necessidades. Isto pode ser devido ao inchaço, que é normal, ou pelo processo de cicatrização na área dos nervos que vão para a bexiga. Frequentemente, o paciente pode sentir que precisa ir ao banheiro e descobrir, afinal, que não precisava. Seja paciente. Apesar de ser frustrante, isto se resolve.
Mudanças Sensoriais: Alguns pacientes terão hipersensibilidade na planta dos seus pés. O paciente pode reclamar de cócegas, coceira ou sensações estranhas. Isto pode ser aliviado com o uso de sapatos e meias. Coloque as suas mãos firmemente nos pés ao tomar banho ou ao se vestir. Evite tocar ou mover as mãos de forma leve pela sua pele. Este problema geralmente se resolve nas primeiras semanas.
Programas em Casa: A agenda do paciente vai se limitar ao programa de fisioterapia, pelo menos durante os primeiros meses. Os programas a domicílio são providenciados na hora da alta. Eles variam para cada paciente, mas todos incluem as posições do paciente, a limitada moção para encompridar os músculos e aumentar a resistência, assim como o desenvolvimento de movimentos recíprocos. Um dos terapeutas do hospital lhe mostrará as atividades e os métodos específicos. A maior parte deste programa se aprende durante o programa pré-operatório de fisioterapia e durante o internamento. Espera-se que o paciente realize este programa de exercício diário em casa, além de atender à fisioterapia regular.
Recuperação e Progresso: O paciente deve ser encorajado a ser ativo, mas pode ficar facilmente cansado. Um progresso diário nem sempre é evidente. Este é o processo normal de recuperação. Os nervos e os músculos estão aprendendo novas maneiras de se moverem, sem a espasticidade. Leva tempo e repetição, até que o paciente comece a produzir movimentos novos e consistentes.
O paciente pode se sentir frustrado porque o movimento agora é diferente do que estava acostumado e ainda não aprendeu a nova forma de controlar os músculos e os movimentos. Uma imagem interna do corpo sem a espasticidade deve ser desenvolvida e, isto, leva tempo. Cada paciente evolue num ritmo individual e toda vez que ele aprende uma nova habilidade, segue-se um período sem mostrar muito progresso durante o qual se pratica o que acabou de aprender. O trabalho é árduo, mas a compensação, tremenda.
Vários fatores podem causar um retrocesso ou parar o progresso. Estar cansado ou em estresse vai afetar o padrão de coordenação e de movimento do músculo. Isto é de se esperar, não se preocupe demais. Entretanto, se o período neutro continua ou há regressão sem que haja melhora em uma ou duas semanas, discuta sobre isto com o seu terapeuta. Pode ser que se tenha que modificar o programa em relação à sua frequência ou rever e inclur outras atividades nele. Se você tem alguma preocupação em respeito ao progresso pós-operatório, por favor, entre em contato conosco.
Fisioterapia Ambulatorial: A equipe de tratamento do St. Louis Children’s Hospital trabalha para conseguir um programa de fisioterapia ambulatorial para pacientes que se submeteram à SDR. Este programa enfatiza em preparar o paciente para receber alta hospitalar assim que o cuidado imediato pós-operatório é completo e inclue um programa de terapia ambulatorial intensivo, em coordenação com o terapeuta do paciente. Os objetivos do programa de fisioterapia são:
- Desenvolver o alinhamento da pelvis, tronco e cabeça
- Aumentar a amplitude de moção dos quadris, pernas, tornozelos e pés
- Amentar a resistência no tronco, pelvis e pernas
- Dsenvolver movimentos isolados das pernas, bem com os movimentos recíprocos
- Melhorar o equilíbrio e o alinhamento
- Desenvolver a habilidade de mudar uma posição à outra
- Melhorar o andar
- Incorporar novos padrões de movimentos nas habilidades funcionais
- Desenvolver um movimento coordenado e suave
Consultas de Acompanhamento. A equipe de tratamento do Children’s Hospital examinarão o paciente aos 4, 16 e 28 meses depois da alta. Durante cada uma dessas consultas, o paciente e a família visitarão o Dr. Park para discutir o progresso pós-operatório. Esta seria também, uma oportunidade para o paciente e a família fazerem perguntas.
Em cada uma das consultas de pós-operatório, o paciente será examinado pelo Dr. Park. Pode-se precisar tirar raios X. Falará, também, com o fisioterapeuta para uma avaliação mais ampla, que será filmada em vídeo. Além disso, as avaliações pós-operatórias do modo de andar, da espasticidade e da força poderão ser feitas. Depois de cada consulta clínica, as observações do Dr. Park será enviada para o médico e o fisioterapeuta da família. O relatório do fisioterapeuta do hospital será enviado ao do paciente, que também será convidado a discutir sobre a avaliação, o progresso e as recomendações para o tratamento.